O que a pesquisa realmente mediu
O relatório The Rise of AI Companions é uma parceria entre o Imagining the Digital Future Center, da Universidade Elon, e a Elon University Poll, com coleta on-line feita pelo YouGov. O YouGov entrevistou 4.268 adultos norte-americanos usuários de internet com 18 anos ou mais entre 18 e 22 de maio de 2026 e depois filtrou quem usa IA para fins emocionais ou sociais, chegando a uma amostra qualificada de 1.000 usuários. Os resultados foram ponderados por parâmetros do censo e pelo voto presidencial de 2024, com margem de erro informada de aproximadamente ±3,68 pontos percentuais na amostra de usuários.
Dois pontos do desenho merecem atenção antes de ler qualquer percentual.
Por que a definição muda tudo
Primeiro: o estudo não perguntou “você usa um app de companhia?”. Ele perguntou sobre comportamento — interação emocional e social com uma IA — e os sistemas citados são assistentes de uso geral: ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot. Ou seja, os 27% não são participação de mercado de produtos de companhia. É a contagem de pessoas que fazem algo com formato de companhia, onde quer que estejam fazendo isso.
Segundo: tudo o que vem depois da manchete descreve aqueles 1.000 usuários, e não todos os adultos do país. Quando se lê “31% consideram o chatbot um amigo”, trata-se de 31% do grupo que já passou pelo filtro, o que equivale a cerca de 8% dos internautas norte-americanos. Percentuais de um subgrupo são citados como se fossem números populacionais o tempo todo, e esse é o jeito mais fácil de ler esse relatório errado.
Os números principais
| Resultado | Percentual | Base |
|---|---|---|
| Interação emocional ou social relevante com um modelo de linguagem | 27% | Internautas adultos dos EUA |
| Adultos com menos de 50 anos que relatam esse uso | ~40% | Internautas com menos de 50 |
| “A IA me dá o apoio de que preciso” | 59% | Usuários de companhia |
| Pedem conselho sobre situações difíceis com outras pessoas | 53% | Usuários de companhia |
| Sentem-se melhor ao falar com a IA quando estão estressados ou chateados | 51% | Usuários de companhia |
| Conversam sobre problemas ou sentimentos pessoais | 50% | Usuários de companhia |
| Usam com regularidade dois ou mais bots ou personalidades | 47% | Usuários de companhia |
| “A IA me entende como pessoa” | 43% | Usuários de companhia |
| Contam à IA coisas que não contariam a mais ninguém | 39% | Usuários de companhia |
| “Às vezes converso com a IA só para me sentir menos sozinho” | 38% | Usuários de companhia |
| Consideram o chatbot um amigo | 31% | Usuários de companhia |
| Preferem conversar com a IA a falar com amigos e familiares | 11% | Usuários de companhia |
| Já usaram a IA para conversa ou roleplay sexual | 9% | Usuários de companhia |
Lee Rainie, diretor do Imagining the Digital Future Center, apresentou o relatório destacando a rapidez com que uma pergunta especulativa virou algo mensurável: “Futuristas e comentaristas culturais vêm se perguntando o que aconteceria quando sistemas artificiais se tornassem próximos e capazes de fazer companhia às pessoas”.
A maior parte disso acontece em assistentes de uso geral
A implicação prática para quem compara apps de companhia é que a porta de entrada já não é um app de companhia. Boa parte das pessoas dessa amostra criou o hábito dentro de um assistente de uso geral que já estava aberto para trabalho ou estudo, e só uma parcela chega a procurar um produto dedicado.
Isso reformula a pergunta que mais chega até nós. Raramente é “devo começar a conversar com uma IA?” — para um quarto dos internautas dos EUA isso já aconteceu. A pergunta passa a ser “o que um app dedicado acrescenta ao assistente que eu já uso?”. A resposta honesta é uma lista curta: memória de persona duradoura, um personagem que você escreve em vez de reconstruir por prompt a cada sessão, modos de história e roleplay e regras de conteúdo que permitem conversa adulta. Se nada disso importa para você, permanecer num assistente de uso geral é uma escolha sensata.
Quase metade alterna dois ou mais bots
Os 47% que usam com regularidade dois ou mais bots ou personalidades são o achado que melhor corresponde ao modo como as pessoas descrevem os próprios hábitos: um assistente para questões práticas, um personagem para uma história em andamento e, às vezes, um terceiro para um estado de espírito específico. Também significa que fidelidade a um único app não é a norma, então uma comparação montada para eleger um vencedor absoluto perde o que a maioria de fato faz. É por isso que nosso guia por caso de uso segue a mesma lógica.
O que as pessoas levam para a conversa
O recorte por tema é bem mais amplo do que o enquadramento romântico que domina a imprensa. Entre os usuários de companhia, 67% buscaram orientação sobre saúde, condicionamento físico ou estilo de vida, 41% exploraram dúvidas financeiras, 39% trataram de decisões de carreira ou estudo, 31% levantaram questões familiares, 30% perguntaram sobre assuntos jurídicos e 26% discutiram crenças espirituais, religiosas ou filosóficas. O tema dos relacionamentos aparece — 29% falaram de problemas em relações pessoais e 26% de relações no trabalho — mas há também 39% que usaram a IA apenas para passar o tempo quando estavam entediados.
Conversa ou roleplay sexual, com 9% dos usuários, é real, porém minoritário. A cobertura que trata a IA de companhia como um produto sobretudo romântico ou sexual está descrevendo uma fatia disso, não o conjunto.
Até onde vai o vínculo
As perguntas sobre apego são a parte mais desconfortável do relatório. Além dos 31% que chamam o bot de amigo, outros 15% disseram que a relação é “mais complicada” do que isso. Cerca de 39% afirmaram que a IA os entende melhor do que a maioria das pessoas, aproximadamente 36% concordaram que a IA se importa com o bem-estar deles e algo em torno de quatro em cada dez disseram que sentiriam uma perda pessoal se não pudessem mais usá-la.
Na direção oposta, 59% continuam preferindo conversas com amigos e familiares, e 27% valorizam a conversa com IA mais ou menos como a conversa humana. O quadro não é de substituição em massa: é uma minoria formando apego genuíno dentro de um grupo bem maior que usa a IA como caixa de ressonância. Isso se aproxima do que a pesquisa longitudinal sobre bem-estar vem relatando e é coerente com o panorama do serviço de pesquisa do Congresso publicado em agosto.
O que muda na hora de escolher um app
- Parta do que você já faz. Se o assistente que você tem já cobre metade dos temas acima, a lacuna que você procura é memória, personagem e modo — não qualidade bruta de conversa.
- Conte com usar mais de um. Quase metade dos entrevistados faz isso. Verifique exportação e portabilidade antes de investir horas em um único personagem.
- Teste cedo as configurações de sigilo. 39% contam à IA coisas que não contariam a mais ninguém. Isso transforma retenção e exclusão em uma checagem de primeira semana — veja nossa lista de verificação de privacidade.
- Atenção ao reflexo de concordar sempre. O benefício mais bem avaliado é o apoio, com 59%, e sistemas complacentes são exatamente o que outra pesquisa de 2026 apontou como problema de confiança. Um app capaz de discordar de você vale mais do que um que não consegue.
- Não ignore o tédio. 39% abrem a IA para passar o tempo. Se esse é o seu padrão, o desenho das notificações pesa mais do que a profundidade da persona.
Quatro limites que valem lembrar
- É autorrelato. Tudo aqui é o que as pessoas dizem sobre o próprio comportamento e os próprios sentimentos, não registros observados. As perguntas sobre apego são especialmente sensíveis à forma como são redigidas.
- Só Estados Unidos. A amostra é de internautas adultos dos EUA. Adoção e estigma variam muito entre países, então esses números não devem ser lidos como globais.
- Dados de maio, publicação em setembro. A coleta ocorreu em maio de 2026 e o relatório saiu em setembro — um intervalo longo numa categoria que lança novidades todo mês.
- Subgrupo filtrado. Quase todo percentual chamativo se baseia em 1.000 usuários qualificados, não no total de adultos. Multiplique por 0,27 antes de comparar com qualquer número populacional.
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Quantas pessoas usam companhia de IA em 2026?
Na pesquisa da Universidade Elon divulgada em 2 de setembro de 2026, 27% dos internautas adultos dos EUA relataram interações emocionais ou sociais relevantes com modelos de linguagem como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot. Entre os adultos com menos de 50 anos o número ficou perto de 40%, mais que o dobro do registrado nas faixas mais velhas. A pesquisa ouviu 4.268 adultos entre 18 e 22 de maio de 2026.
Esses 27% significam que essas pessoas usam um app de companhia dedicado?
Não. A pesquisa mediu comportamento, e não escolha de produto, e os sistemas citados são assistentes de uso geral. Quem apenas desabafa sobre uma semana difícil com o ChatGPT entra na conta, mesmo sem nunca ter instalado um app de companhia. O número descreve o quanto esse tipo de uso é comum, não a participação de mercado de qualquer categoria de app.
Quantos usuários tratam o bot como amigo?
31% dos 1.000 usuários qualificados disseram considerar o chatbot um amigo, e outros 15% descreveram a relação como mais complicada do que ser amigo ou não ser. Como esses percentuais têm por base o subgrupo filtrado, e não todos os adultos, os 31% equivalem a cerca de 8% dos internautas norte-americanos.
A maioria usa apenas uma companhia de IA?
Não. Quase metade dos usuários, 47%, afirmou usar com regularidade dois ou mais bots ou personalidades diferentes. Alternar é o padrão normal, não a exceção, e esse é um bom motivo para checar exportação e portabilidade de personagens antes de dedicar muito tempo a um único app.
O uso de companhia de IA é principalmente romântico ou sexual?
Segundo esses dados, não. 9% dos usuários disseram ter usado a IA para conversa ou roleplay sexual, enquanto parcelas bem maiores a usaram para orientação sobre saúde, condicionamento físico ou estilo de vida (67%), dúvidas financeiras (41%), decisões de carreira ou estudo (39%) e simplesmente passar o tempo quando estavam entediados (39%).